segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Muso! Muso! Muso!


Nunca tinha levado Chico Buarque muito à sério. Pra mim era coisa de pseudo-cult querendo pagar de apreciador da música nacional. Já tinha escutado uma meia dúzia das mais tocadas dela e me contentava com isso. Semestre passado, por falta de matéria na Letras eu decidí cursar "Algumas Cidades na Literatura de Chico Buarque". Lá fui eu, completamente ignorante em matéria das obras dele pra sala de aula. O primeiro choque foi a professora: bem humorada, simples, tranquila. Depois ela fez a gente ouvir com atenção, prestar atenção nas mensagens, nas letras, nos símbolos. Pronto, foi o suficiente pra eu me apaixonar. Meio tarde é verdade. Se bem que nunca é tarde pra gente descobrir novas inspirações, é? Segue uma das letras que eu considero mais fantástica dentro tá tão aclamada obra do Chico.

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado


Esta letra foi retirada do site www.letrasdemusicas.com.br

2 comentários:

Joader disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joader disse...

Como vc Ana (Docinho que derrete na boca) Eu também estou começando a ver a música dele com outros olhos. E essa nova perspectiva que so posso encontrar graças a vc! So tem trazido coisas boas pra mim!!!!